Sobre a Psicopedagogia...
A Psicopedagogia no Brasil foi grandemente influenciada por autores argentinos, tanto pela proximidade geográfica como pela facilidade da língua. Sara Paín, Alícia Fernandes e Jorge Visca são alguns dos maiores influenciadores desse ramo de conhecimento em nosso país. O último, Jorge Visca, fundou a “Epistemologia Convergente” que alinha os pressupostos teóricos da Psicologia, da Teoria Psicogenética (Piaget), da escola Psicanalítica (Freud) e da Psicologia Social (Pichon Rivière) e norteia o trabalho desses profissionais.
Esse campo do conhecimento surgiu a partir da necessidade de prestar auxílio às crianças que apresentavam dificuldades de aprendizagem. Antes disso, as causas da não aprendizagem eram objeto de estudo da medicina e psicologia. Portanto, a Psicopedagogia investiga a aprendizagem normal e a aprendizagem patológica, tendo como interesse técnico o quê, como e quando executar ações que ajudem o aprendente a reabilitar essa função. (VISCA, pg[S1] . 13)
Sobre o aprender na perspectiva psicopedagógica, Sara Paìn (2016) afirma que fatores orgânicos, psicológicos e ambientais influenciam na situação do não aprender. Os fatores orgânicos dizem respeito à saúde e ao bom funcionamento da visão, audição, um sistema nervoso sadio, o equilíbrio glandular, transtornos perceptivo-motores e uma alimentação adequada. Desequilíbrios nesses sistemas podem gerar quadros expressivos de não aprendizagem. Já os fatores ambientais remetem às técnicas didáticas do ensinar e às falhas desse sistema, pois tendem a favorecer ou não o sujeito aprendente. Ao referir-se aos fatores de ordem psicológica, a autora traz a inibição como uma possível origem do não aprender. (PAÌN, 2016, p. 28)
O trabalho do Psicopedagogo Clínico, pautado nos pressupostos teóricos que fundamentam sua prática, tem por objetivo facilitar a aprendizagem identificando as causas dos entraves cognitivos apresentados pelo sujeito na forma das dificuldades de aprender. No consultório, o profissional faz o levantamento da hipótese diagnóstica e atua no tratamento e/ou prevenção de problemas de aprendizagem.
Para que o profissional chegue à hipótese diagnóstica é necessário aplicação de protocolos específicos e deve seguir alguns critérios como a aplicação de provas operatórias e provas projetivas, avaliação da coordenação motora fina, visiomotora, esquema corporal, orientação espacial e temporal. Testes que buscam compreender a capacidade de raciocínio lógico, avaliação da competência fonológica, avaliação das funções executivas e testes de desempenho escolar. Além desses recursos, é realizada uma sessão com a família denominada de anamnese. Por meio dela fatos importantes sobre a história do paciente/aprendente associados a outras informações relevantes como condutas de relacionamento, qualidade do sono, etc, se juntarão ao cabedal de informações recolhidas para a elaboração de uma hipótese diagnóstica bem elaborada e consistente. (SAMPAIO,2016)
Pp. Isabela Rouver.
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