O PAPEL DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS NO DESEMPENHO COGNITIVO DO APRENDENTE COM DIAGNÓSTICO DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

 

Vamos supor que precisamos organizar uma festa! Para que tudo saia a contento necessitamos nos valer de uma série de medidas para que o evento seja um sucesso. É preciso pensar no local onde irá acontecer, quantos convidados farão parte da reunião, quais músicas, comidas e bebidas serão oferecidas, entre outras providências. A seleção e escolha final de cada item da festa deverá ser pensado criteriosamente e, para isso, o sujeito deve aplicar toda sua capacidade executiva nesta função, com o objetivo de realizar de maneira exitosa a comemoração. 

A capacidade de tomada de decisão, organização, a criação de estratégias para eliminar prejuízos e situações inesperadas estão diretamente ligados ao bom funcionamento das funções executivas. Essas funções não são habilidades inatas, vão se desenvolvendo durante o processo de crescimento do indivíduo e, à medida que ficamos mais velhos, essas competências vão se tornando mais complexas. Há nesse progresso uma relação de sucessão das habilidades das mais primárias as mais especializadas. Vale ressaltar que nenhuma nova especialização dessas funções ocorre se a anterior não estiver adequadamente estruturada. 

Mas afinal, o que são as funções executivas?

As funções executivas são um grupo de habilidades requeridas em situações em que o sujeito precisa ter controle da atenção, planejamento e comportamento intencional com a finalidade de atingir um propósito. (FONSECA; PRANDO; ZIMMERMANN, 2016)

Segundo Fonseca, Prando, Zimmermann (2016, p. 16) “esse conjunto de funções é necessário para que os indivíduos possam apresentar comportamentos complexos e encadeados sistematicamente, tanto em contextos de integração social/comunicativo quanto as situações cognitivas complexas que demandam maior controle mental e raciocínio.”

As autoras também apresentam os elementos que compõe esse conjunto de habilidades e os definem: a) controle inibitório – integra o conceito de autorregulação, pois relaciona-se a aptidão  de  controlar e regular o funcionamento motivacional, emocional e cognitivo; b) automonitoramento – relaciona-se a capacidade de avaliar de forma consciente processos cognitivos, emocionais e comportamentais a fim de se alcançar um objetivo; c) flexibilidade cognitiva – refere-se à habilidade de pensarmos de forma diferente sobre determinado tema. Permite comportamento adaptativo para que o sujeito possa lidar com mudança; d) velocidade de processamento – está relacionada a processamento de informações e o desempenho cognitivo; e) memória de trabalho – sistema responsável pelo arquivamento e manipulação temporária de informações ; f) planejamento-  é a capacidade que o sujeito possui de pensar antes de executar uma ação.(FONSECA; PRANDO; ZIMMERMANN, 2016)

O bom funcionamento dessas habilidades nos permite a realização de muitas atividades no transcorrer do nosso dia a dia. Para toda ação que demande planejamento, organização ou resolução de problemas precisamos recorrer às funções executivas. Desde os trabalhos cognitivos mais complexos como realizar uma cirurgia até as ações mais simples do cotidiano como preparar o café da manhã ou varrer a casa.

Sobre a anatomia das funções executivas, ressaltamos que “embora se possa afirmar que o controle executivo esteja distribuído, em uma circuitação ampla, em distintas regiões cerebrais, as estruturas neurobiológicas mais diretamente responsáveis pelas funções executivas estão principalmente localizadas nos lobos frontais”. (ROTTA, OHLWEILER, RIESCO, 2016, p.395)

As funções executivas, como vimos, tem papel fundamental para a aprendizagem. São elas que permitem ao sujeito controlar a atenção, manter a concentração durante a aula, organizar e acessar os conteúdos aprendidos, por exemplo. As funções executivas podem ser exercitadas e melhoradas com treinos e práticas apropriadas, o que proporciona qualidade de vida aos indivíduos que apresentem alguma carência relacionada de forma substancial.

 

 

 Pp. Isabela Rouver


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